Fale conosco pelo WhatsApp

Bloqueio na vida por Culpa: Crença enganosa x Libertação

A regressão de memória é uma expansão da consciência, que permite, como um raio X, examinarmos a fundo, de que modo um conteúdo interno, uma crença, um sentimento, ou uma emoção está instalada no inconsciente.

O processo terapêutico permite então, a sua remoção, liberando e recontextualizando toda a situação vivenciada.

Uma cliente me conta que não consegue levar nada adiante. Não conseguiu estudar e agora não consegue trabalhar. Não importa o que ela inicie, estudar, ou trabalhar, assim que ela toma consciência da possibilidade de se sair bem, algo terrível começa a se passar com ela: sofre distúrbios de memória, sobrevem uma angústia intensa, e pensamentos negativos que incessantemente repetem o quão incompetente ela é.

Tudo isso encontra alívio, quando ela desiste das coisas.

Pela repetição da frase “eu não posso ser bem sucedida”, surgiu “eu não mereço ser bem sucedida”, e uma voz feminina dizendo: “você é muito feia e parece uma favelada” (palavras da mãe após ver a filha recém nascida).

A baixa estima de minha cliente tinha aqui uma explicação, mas esta não era suficiente para o bloqueio que criava em todas as situações de sua vida, quando estas se mostravam uma porta aberta para o mundo.

Induzí-a a se aprofundar mais, buscar uma sub-personalidade específica, que fosse a origem do bloqueio.

Emergiu de seu inconsciente, uma adolescente de 15 anos que, assassinou seu bebê de 4 meses com uma apunhalada.

Esta adolescente havia sido seduzida por um primo casado que residia em outra cidade, mas havia vindo com sua mulher para uma espécie de cerimônio familiar.

Parece que o grupo todo pertencia a uma seita determinada em que mulheres usavam vestidos preto e uma espécie de chapéu claro, e os homens usavam ternos pretos, fechados até o pescoço e cartolas altas.M

O fato de ter engravidado, era vergonhoso e teve que ser escondido do pai, porque ele a mataria. Foi a mãe que descobriu a sua gravidez, a adolescente nem sabia o que se passava com seu corpo, era totalmente inocente e inconsciente e assim ficou. Foi mandada para a casa de uma prima mais velha poara ter o bebê ali, fora das visitas do pai e da comunidade.

Sentia um desespero muito grande, ninguém explicava nada, ninguém falava com ela sobre o que iria acontecer, sobre o parto e sobre a sua vida. Nada existia à sua frente a não ser medo, angústia e desespero.

Nunca saía de casa, para não ser vista. Finalmente chegou o dia do nascimento, a prima ajudou no parto, banhou e vestiu o nenê. A adolescente nunca segurou nem amamentou o nenê, sentia repulsa e horror por ele, e desespero em relação a sua própria vida. Não suportando o estado em que vivia, pegou uma faca e apunhalou o nenê. A prima o enterrou nada comentou. Ficaram vivendo juntas. Ela nunca mais saiu de casa, no mundo lá fora ela era uma prostituta assassina, primeiro havia engravidado e depois assassinado seu filho. Ela mesma sentia-se não merecedora de nada.

Examinamos em muitos aspectos a vida daquela adolescente, criada como uma alienada num contexto de valores retrógrados e coercitivos, sem contato afetivo. A única pessoa que ali manifestava vida, era aquele primo que a engravidou. Mas dentro dele a vida era proibida, por mais que a desejasse, não podia e nem sabia lidar com ela, tudo era muito assustador.

Ficou bem claro para a cliente como aquele aspecto adolescente estava completamente desorientado dentro dela e que ao invés de críticas e punições, necessitava de compreensão e acolhimento.

Fomos, em seguida, explorar os momentos que antecederam e se seguiram à morte do nenê. Despero e vergonha e necessidade de se livrar “daquilo”.

Peço que acompanhe com atenção todo o processo de morte do nenê e me relate o que vai percebendo, o que vai acontecendo na sua imaginação e no seu sentimento:

“Vejo um homem adulto sair do nenê, ele está muito calmo, diz para eu me tranquilizar porque ele sabia, que isso tudo iria acontecer e era para acontecer. E eu, de fato, vou me tranquilizando muito. Ele se despede e diz que vamos nos encontrar novamente”.

– Quem aguarda v. quando v. sai do corpo?

– “Ele está lá, muito calmo, muito sereno, parece iluminado, acho que ele é uma pessoa bem mais evoluída que eu. Mas eu ainda me sinto péssima, com tudo o que fiz”.

– Vá com ele, para os níveis internos de compreensão ressignificação e liberação e me diga o que te acontece aí.

– “(Suspiro). Posso compreender tudo, de uma maneira neutra, sem sofrimento, sem culpa, sem necessidade de me impedir de viver e de deixar acontecer a vida lá fora”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *